Trajeto percorrido: 2.044 km
O que dizer do primeiro dia de 2012... Esta postagem será longa, assim como esse dia. Só para se ter uma idéia, saímos da altitude de 3.840 metros, passamos por 4.592 metros e finalizamos repousando no Pacífico. Bom, comecemos pelo princípio.
Ainda no ano passado, noite da virada, após alguma insistência, conseguimos vaga para a comemoração no restaurante “Balcones de Puno”. A promessa é que haveria shows típicos e uma cerimônia de virada de ano. Para não começarmos 2012 dormindo, resolvemos encarar o programa. Na chegada houve alguma hesitação pelo padrão do local, mas mal sabíamos o que nos esperava. Iniciado o serviço, nos deparamos com uma linda apresentação das danças folclóricas do Peru. Aqueles bailarinos giravam suas coloridas roupas em um balançar festivo, tudo acompanhado pelo inconfundível som da flauta andina. E os músicos também tinham grande conhecimento do que estavam fazendo. Só isso já valeria a noite.
Mas, como sempre, o melhor estava guardado para o final. Apagaram-se as luzes e iniciou-se a cerimônia inca. Já no começo, furiosos falcões faziam uma dança forte e ritmada, virando bruscamente suas cabeças ao som de empolgantes chocalhos. Na seqüencia começaram as oferendas e chegou o “guru” que nos iria abençoar. Entusiasmados, participamos daquele ritual, em que a sagrada folha de coca era a detentora dos nossos pedidos abençoados pela “Pacha Mama”. Fomos abençoados para esse novo ano e para a continuidade da viagem, já contentes pela grande passagem pelo Peru.
Descrever essa noite de cores, cheiros, sons e energia singulares, acompanhados de uma gastronomia de alto padrão, é muito difícil. Emprestarei as palavras do nosso reizinho para expressar o que foi a noite: “Isso aqui é o máximo. MA-RA-VI-LHO-SO!”.
Começamos 2012 no mesmo ritmo de sempre, acordando cedo e partindo para um novo destino. Teríamos que cruzar a fronteira do Peru com o Chile e ainda rodar 480 km (Arica) ou 830 km (Iquique) conforme conseguíssemos. Saindo do hotel, começamos um lindo e frio passeio sob as cordilheiras, com tempo nublado, porém sem chuva. Se tudo continuasse assim, seria perfeito. Mas aventuras não têm que ser perfeitas! A linha dos 3.000 metros passou a dar lugar à dos 4.000, junto com a Dona Altitude, surgiu seu inseparável companheiro, Sr. Frio, que ainda convidou Dona Chuva para a comemoração. Subimos muito, rodando a um frio de 3.5 ºC. Isso em cima de uma moto, com chuva, é realmente complicado. Seguimos assim por difíceis duas horas nas quais cumprimos aproximadamente 100 km.
Fica uma dica especial para os motociclistas: utilizem equipamento apropriado! Eu e o Lanterninha sofremos muito com o frio nas mãos. Reizinho estava amparado pela sua famosa Rukka e Louwel pelo aquecedor de manopla. Nós ficamos com as mãos duras pela baixa temperatura. Comecei a sentir muita dor nos dedos, mas segui caminho imaginando que logo começaríamos a descer. Porém, cada curva que se apresentava apontava para um horizonte de ainda mais curvas e mais altitude. Segui assim por 30 minutos quando, preocupado com a situação, resolvi parar. Ao tirar a luva, me deparei com as pontas dos meus dedos rochas, princípio de congelamento. Esquentei a mão no motor da moto até sentir condições de seguir. Como minha mão ainda estava dura e dolorida, ainda fiz uma segunda parada poucos minutos depois. Isso é uma dica para quem vai fazer o passeio, tome muito cuidado com o frio, pode custar muito caro. Se encaramos isso no verão, não sei como conseguem fazer essa viagem no inverno! Meus dedos estão ok, estou utilizando-os para escrever essa passagem.
Baixando um pouco para a linha dos 3.000 metros começamos a sentir uma temperatura mais agradável. Terminada a chuva, nos deparamos com uma vista estarrecedora: uma serra espetacular, anunciado o começo do deserto. Rodamos por um lindo cenário, muito parecido com as imagens que víamos no Afeganistão na época da “Guerra ao Terror”. Tudo isso coroado com ótimas curvas.
Após o almoço, em votação, decidimos encarar um caminho mais longo rumo a Arica (Iquique não seria mais possível), acompanhando o Pacífico até o novo país. Nosso caminho pela Interoceanica Sur, seguiria por Ilo e Tacna até o Chile. Ingressamos na fascinação do “deserto mais seco do mundo”. Aquela imensidão de terras inóspitas, sem qualquer sinal de vida, deixa qualquer um perplexo. As fortes rajadas de vento e areia faziam com que as motos viajassem inclinadas. Graças a um calculado jogo de pernas, conseguimos manter um pouco a moto na vertical, até, enfim, termos uma encantadora vista do Pacífico.
Seguimos pela Panamericana até cruzamos tranquilamente as duas fronteiras e ingressarmos no Chile. Já ao chegar na primeira cidade nota-se que estamos em outro país. Os postos de gasolina completos, com loja de conveniência e bem acabados. A própria iluminação da cidade deixa claro que mudamos de ambiente. Dormimos junto ao mar no Hotel Diego Almagro esperando essa nova jornada!
Como esse post ficou muito longo, deixo a impressão final do Peru para o próximo.
Que todos tenham um 2012 maravilhoso como nós estamos tendo, completo de realizações e de emoções!
Nota em tempo: Em Puno, devido ao cancelamento de nossa antiga reserva, ficamos no Hotel José Antonio, um dos mais luxuosos da cidade. O hotel é muito bom, mas não vale o que custa.
 |
| Jantar da virada |
 |
| Shows típicos |
 |
| Boa gastronomia |
 |
| Falcões abrindo o ritual |
 |
| Neto participando da cerimônia |
 |
| Benção sobre o Louwel |
 |
| Começo da aventura do dia 01 |
 |
| Linda serra que nos aguardava |
 |
| Olha a cara de felicidade do Neto! |
 |
| Espetáculo na natureza |
 |
| Casal que conhecemos da Venezuela |
 |
| Louwel já no Pacífico |
 |
| Espetacular Panamericana |
 |
| Vou largar esse três aqui... |
 |
| Bienvenidos a Chile |
 |
| Fim de uma maravilhosa aventura do Peru |
Deslumbrante descrição desses emocionantes momentos e lugares...
ResponderExcluirÉ tamanha a aventura sem igual, que parace que o mais o certo é deixar todos em Hospicio.... hehehe ,mas não façam isso não... voltem estamos com saudades..... beijos...
Parabéns pelo Blog , realmente parece que estamos participando da viagem
ResponderExcluirA baixa temperatura realmente é uma grande inimiga nessas horas o equipamento faz diferença . Neto : A RUKKA É FUDIDA....... rsrsrs
Estamos acompanhando vocês por aqui
Grande abraço
Paulo e Mylla Casagrandi
Wagner.
ResponderExcluirMuito legal acompanhar a aventura de vcs. Realmente sensacional! Aproveitem bastante... Grande abraço e boa viagem. Parabéns pelas postagens e para o autor.
Gustavo Machado.
Estou acompanhando ansiosamente vossa trajetória, embora fico um tanto quanto embaraçado com o portugues do meu amigo advogado. Isso porque meu grau de escolaridade foi somente até Mestrado.
ResponderExcluirAss: Federal
Obs: Estou esperando atualização!!!
Gostaria de saber duas coisas:
ResponderExcluirO significado da frase: Havíamos abastecido no Peru para acabar nossos "com soles" e claro o Preço da Gasolina.