Trajeto percorrido: 3670 km
Tínhamos um plano-acordo: iríamos para a Aduana 10:00h e esperaríamos até às 13:00h o Paso Jama abrir, caso não abrisse, iríamos mudar o roteiro para Santiago. Havia chovido a noite inteira e a expectativa não era das melhores.
Já no começo do dia conhecemos o simpático e agradável Ronald, um senhor de 60 anos, em sua KTM preparada, que nos ensinou o que é ser aventureiro através de suas interessantes histórias e sua saga solo ao auge de seu motor 6.0.
A manhã não tinha sol, por isso chegamos a pensar em já abandonar a travessia; porém, acordo é acordo e mantivemos o cronograma inicial. Logo o sol abriu acendeu uma esperança. Conhecemos muitos brasileiros na fila e ficamos aguardando informações.
É impressionante a falta de respeito da polícia chilena com os turistas. Não passam informações, ou simplesmente a jogam no ar como uma incerteza, pouco ligam para aqueles que injetam muito dinheiro na economia do país.
A manhã passou e 13:00h chegou sem informações animadoras. Como acordo é acordo, calmamente tiramos nossa roupa de frio, segunda pele, forro, gorro, etc. (um frio abaixo de zero nos aguardava em Paso Jama ) e aquecemos nossos motores saindo às 13:15h, ainda sem boas novas.
Deixamos San Pedro de “Barroelama” rasgando deserto abaixo rumo a uma nova aventura. Como eu disse para o Neto ainda naquela manhã: “Se cruzarmos o Paso de Jama, maravilha! Se não passarmos, maravilha!!!”. Que venha Santiago! Saindo da cidade ainda nos deparamos com outra surpresa, mais uma peça do deserto: o terceiro dia consecutivo de chuva. Ao final do dia descobriríamos que havia nevado novamente em Paso Jama e a estrada ficou o dia inteiro fechado: decisão acertada! Que venha o Rally Dakar!
Seguimos pelo deserto rumo a Antofagasta. Encaramos longas retas em meio à aridez. Podíamos sentir o forte sol incendiando nossas roupas. Nossas bocas e gargantas secavam poucos segundos após ingerirmos algum líquido. O ar também não era dos mais agradáveis. E ainda lutávamos contra fortes ventos e rajadas de areia que nos convidavam a visitar a pista do outro lado. Porém, a vista não era tão ruim. Embora tenhamos passado por lugares mais bonitos na viagem, também passamos por mais feios. As dunas de areia multicolores formavam curiosos desenhos que prenderam minha atenção durante todo o trajeto.
Abastecemos em um posto antes de Antofagasta e seguimos forte, rumo à tão fotografada “Mano Del Desierto”, símbolo mais representativo do Atacama.
Uma dica para o motociclista que está saindo de Iquique rumo a San Pedro de Atacama e um amigo diz entusiasmado: “Não vamos passar pela mãozinha? O desvio é só de 400km!”. Ante essa situação emergencial, finja-se de louco varrido e solte um forte e sonoro: “Não. De jeito nenhum!”. Fazer o desvio pode ser o final da viagem, uma vez que o sugestivo indivíduo pode ser agredido por algum dos companheiros ao chegar ao local. Primeiro, a “mãozinha” é depois de Antofagasta, uns 40km. Segundo, a estrada é chata, não vale à pena. E por fim, é só uma estatueta no meio do deserto. Se estiver perto, até compensa pela simbologia e tudo mais, caso contrário, não gaste gasolina e pneu à toa, conheço alguns lugares bem mais interessantes para indicar.
Agora tratarei de um assunto de extrema importância: informação. Sempre que for programar uma viagem para o Peru ou para o Chile, converse com brasileiros, outros aventureiros que já fizeram o passeio ou leia revistas e guias sérios. As informações recebidas nestes locais são de baixíssima confiabilidade. E não é maldade. Eles realmente não têm muita noção das coisas! Primeiro que nesses locais a distância é medida em horas e minutos, nunca em quilômetros. De Arica a Iquique são umas 4 horas, não importa se você está de skate, jegue, a pé ou de R1, o tempo de viagem é o mesmo! Além disso, eles têm a habilidade de enxergar locais invisíveis no deserto: “logo ali na frente tem uma pousada”; e 200km depois aparece aquela pousada que era “logo ali na frente”.
Graças a um esperto informante chileno, enfrentamos um problema de combustível no trecho Antofagasta-Taltal. Tivemos que parar as V-Stroms (se não parássemos elas decidiriam fazê-lo em 5km) e ir buscar gasolina de Gs 50km adiante. Motociclistas fiquem atentos!
Decidimos parar em Chanaral e nos preparar para encontrar o Rally Dakar no próximo dia. À noite estudamos a movimentação do evento e verificamos que cruzaríamos com ele na próxima alvorada. Dormimos ansiosos para que o novo dia chegasse para acompanharmos o maior evento de automobilismo off-road mundial.
Hotel do dia: Aqua Luna – hotel médio com preço justo
| Luxuosa fachada do Luxuoso Hilton Atacama |
| San Pedro de "Barroelama" |
| Neto e Ronald, irmãos gêmeos separados no berço |
| Todo mundo aguardando para passar no Paso |
| Impossível hoje! |
| Vamos para Santiago! |
| Mano del Disierto |
| Chegada da gasolina! |
| Viva o Atacama!!! |
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